Resenha do livro "Pálido Ponto Azul" de Carl Sagan
Se em "Contato", o primeiro livro que li do autor, somos envolvidos por uma brilhante ficção científica, aqui em "Pálido Ponto Azul" Sagan nos agracia com um panorama sobre o amanhecer tecnológico da era da exploração espacial, toda a sua importância e até onde ela pode nos levar em um futuro não tão distante.

O início do livro é pautado na famosa foto que a Voyager 1 tirou da Terra quando estava próxima a Saturno. Tudo o que somos, todas as coisas que nos são importantes, em um pequeno grão envolto pelo vazio.

Partindo dessa ideia, são questionadas as diversas crenças e ideologias presentes na breve história humana, na tentativa de diminuir nossa vaidade relacionada a pensamentos antropocêntricos de muitos séculos atrás. Acima de tudo, essa foto é importante para lembrarmos nosso tamanho em meio à imensidão indescritível do espaço interestelar.
Após desmistificar a vaidade do pensamento humano (de primeiro termos acreditado que poderíamos estar no centro do universo), Sagan nos leva por todo o percurso das sondas Voyager 1 e 2, pioneiras na exploração de nosso sistema solar, mostrando a importância desses estudos para muitos problemas que enfrentamos em nosso lar. Por exemplo, o aquecimento global, que começou a ser discutido graças a um professor que identificou o efeito estufa na atmosfera de Vênus.
Fazem quase 50 anos que a Voyager foi lançada, e ela está próxima de atingir 1 dia-luz de distância da Terra. Pensei profundamente nisso durante toda a leitura. Curiosamente, Sagan insistiu para a NASA colocar um LP na sonda, contendo muito de nossa história, assim como a localização exata de nosso planeta na Via Láctea. A sonda adentrou agora o Espaço interestelar e ficará vagando em sua solitude pelos próximos bilhões de anos, e caso seja interceptada por alguma forma de vida, provavelmente nossa espécie já terá deixado de existir há muito tempo.

Apesar de ser melancólico pensar nessas medidas de tempo e distância, Sagan fala com muito otimismo da enorme possibilidade de haver outras civilizações no universo, e sugere que a explicação para ainda não termos nos encontrado é, pura e simplesmente, as grandes distâncias entre nós. Se, com otimismo, pensarmos que existam civilizações habitando os arredores das estrelas mais próximas, há de se considerar que estamos transmitindo ondas de rádio há pouquíssimos anos. Nossas primeiras transmissões, feitas há pouco mais de 100 anos, ainda estão muito próximas de casa para sermos percebidos.
É impressionante a quantidade de acontecimentos científicos que Sagan ajudou a concretizar. Inclusive, foi um dos pioneiros na busca por vida inteligente através de radiotelescópios. Após mais de 60 anos, já monitoramos milhões de estrelas e analisamos trilhões de frequências e, mesmo assim, sabe ao que isso se compara? A pegar um único copo d’água do oceano e concluir que não existem peixes.

Por fim, nos capítulos finais, o autor nos conta o que espera de nossa espécie (caso sejamos capazes de superar os perigos da auto destruição), do destino que nos aguarda em outros planetas, cometas e até outros sistemas solares, e como essa empreitada será essencial para a perpetuação da humanidade. É interessante nos imaginarmos explorando tantos locais que, ao final, acabamos até nos esquecendo de nosso planeta natal, dando origem a culturas e formas de arte tão vastas que ainda não conseguimos conceber. Conceito muito explorado na "Fundação", de Asimov.
Aos amantes do assunto, recomendo fortemente a leitura. Rapidamente percebe-se a genialidade de Carl Sagan e seu comprometimento com a ciência como forma de unificação social e ideológica.



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