Colagem
Nesse post vou falar de um novo hobby que, aos poucos, está ganhando espaço no meu dia a dia: colagem manual.
De uns tempos para cá, estamos sendo ridiculamente expostos a uma quantidade enorme de posts em redes sociais gerados por Inteligência Artificial, e, por mais que as I.A.s sejam muito facilitadoras em diversas áreas de nossas vidas, os designers pesaram a mão. Essas imagens inundaram os ambientes virtuais e o pior aconteceu: tudo ficou extremamente genérico e esquecível.
Eu entendo que a demanda exigida sobre o setor, em muitos casos, é a verdadeira vilã. Por que trabalhar exaustivamente em uma arte para um cliente e levar toda a manhã para chegar ao resultado esperado, se em 10 minutos eu posso fazer posts para 10 clientes diferentes, sem nem ter que abrir o Photoshop...? É o marketing sacrificando a qualidade em detrimento da quantidade.
Bom, por acaso cliquei em um reels com uma imagem esquisita que me chamou a atenção. Do que se trata? Colagem. E, claro, como todo bom algoritmo atual, em alguns minutos o Instagram despejou uma enxurrada de posts relacionados a essa atividade. Em um mundo regido por softwares deixando a "arte" cada vez mais sem graça, como pode alguém largar o celular por 20 minutos, folhear revistas e se dar ao trabalho de recortá-las e remontá-las? Aliás... revistas? Não foram extintas?
Achei algo tão interessante para se fazer no mundo de hoje que, na manhã seguinte, fui ao sebo mais próximo e comprei algumas revistas da década de 70. Como é possível, em apenas 50 anos, o ritmo das nossas vidas ter acelerado tanto? Folheando-as, logo percebe-se o cuidado editorial: cada texto pensado por horas antes de ganhar seu lugar na página, e as imagens... uma mais incrível que a outra. Hoje, um mundo de possibilidades para colagens, na época, uma aula artística sobre design. Até as fontes utilizadas são um charme à parte.
Eu entendo que é uma tendência da minha geração se conectar com coisas analógicas, seja fotografia, música ou leitura. Somos a última geração que conseguiu "brincar na rua", os smartphones nos dominaram apenas no final de nossa adolescência. Hoje, as crianças saem do parto com página própria no Instagram, que loucura. Bom, justamente por essa exposição a estímulos digitais, acho que estamos cada vez mais valorizando um tempinho no mundo analógico, e isso tem sido algo importante para mim também.
Dito tudo isso, recortei minhas primeiras páginas. Sem muitas regras a serem seguidas, exceto pela minha preferência estética por sci-fi, uma pequena bagagem na fotografia, uma tesoura e um sonho.
Limitado a somente 5 revistas antigas, fiz minha primeira colagem.

Não é para ser algo pretensioso, nem ter algum sentido. Ela serviu justamente ao propósito de descansar minha mente. E como faz bem expressarmos nosso lado artístico, sempre me impressiono com isso, o quanto consigo descansar nessas atividades.
Algumas coisas me encantaram no hobby, como ser algo 100% artesanal, ter relação com composição fotográfica, mas sem ser tão restritivo, permitindo muitas brincadeiras com sobreposições de camadas, objetos de diferentes escalas e até o nonsense máximo. Aqui, sua criatividade e seu senso estético são os limites.
Parece que preciso comprar um estilete de precisão e algumas revistas antigas da Nat Geo para, aos poucos, dar continuidade ao hobby. Quando conseguir fazer algumas mais interessantes, penso em abrir uma série no portfólio, por que não?
Enfim, se seus dias estão estressantes e você quer fugir um pouco do "scrolling", pegue uma revista velha e uma tesoura. Se alguma imagem te chamar atenção, tente combiná-la com outros elementos, garanto que vai se sentir melhor depois. Para finalizar, mais algumas colagens que eu fiz essa semana.







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