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Diário de Ouro Preto

thiagopontoglio9
24 de abr.
5 min de leitura

Atualizado: 27 de abr.

Ouro Preto... A famosa cidade histórica no interior de Minas Gerais, com sua arquitetura barroca que remonta aos tempos de Brasil Colonial, época em que ainda se chamava Vila Rica. E atualmente patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO.


Saímos de Ribeirão Preto, interior de SP, por volta das 6h de um sábado. Optei por um caminho mais longo, mas supostamente mais seguro, passando por Pouso Alegre e viajando pela rodovia Fernão Dias. Após 11 horas de viagem chegamos em Ouro Preto na melhor hora possível...


A luz dourada do fim de tarde nos ofereceu uma primeira vista incrível da cidade, e adentrando suas ladeiras, foi como se tivéssemos atravessado um portal para outra época. De cara, o charme da arquitetura já impressiona muito, e logo percebi o potencial do lugar para a fotografia de rua, algo que pude praticar raríssimas vezes.


Para a estadia, optei por uma pousada bem no Centro Histórico, as Suítes Duarte, o que se provou uma escolha acertadíssima. Além do conforto, a localização nos permitiu fazer tudo a pé, sem depender do carro para nada. Também gostaria de ressaltar a hospitalidade de nossa anfitriã Marley, que nos deu dicas valiosas durante a hospedagem.


Mal deixamos as malas no quarto e já saímos para explorar os arredores, a blue hour tomando o lugar da luz dourada, e as luzes se acendendo, que primeira impressão gostosa que ficamos da cidade. Fomos em direção a praça Tiradentes e acabamos no bar Jair Boêmio para os primeiros drinks da viagem, não sei quem foi esse tal de Jair, mas apesar do nome... me pareceu gente boa.


Na volta para a pousada, ainda nos deparamos com um pub chamado República Cervejeira, onde fizemos mais uma parada para experimentar a Bock e Stout da casa, as duas aprovadíssimas!


Durante essa primeira saída, algumas ideias para fotos já começaram a surgir e fui aos poucos percebendo o estilo fotográfico que eu poderia adotar para a cidade, tons mais quentes e enquadramentos mais "aconchegantes" com certeza funcionariam muito bem.


O dia seguinte começou cedo, e logo já fomos experimentar uma cafeteria próxima a nossa hospedagem chamada ''O Único Lugar do Mundo". Com a luz da manhã batendo em sua faixada charmosa, pedi para minha namorada passar caminhando com naturalidade, e assim a primeira foto da viagem foi feita.




O truque é ativar o modo de disparo contínuo da câmera e fazer inúmeros cliques, eventualmente um ficará bom, pode confiar.


Aqui vale um adendo sobre os estabelecimentos alimentícios de Ouro Preto, que infelizmente deixaram a desejar. Tudo é superfaturado (vimos pão de queijo de 10 a 22 reais)

e se você for comer nas horas convencionais, enfrentará filas que agridirão sua paz interior.


Em uma dessas experiências, no auge do estresse de uma fila enorme, o recepcionista de um restaurante, quando questionado sobre a demora e a qualidade do local, teve um roupante de sinceridade e falou a seguinte frase: "aqui é muito ruim, muito lotado e sem previsão". Nós, que estávamos de saída após comer o pior hamburguer de Minas Gerais, nos deparamos com essa cena e caímos na gargalhada... Ele realmente não poderia ter sido mais sincero.

Mas estou me adiantando! Após o café da manhã aproveitamos para desbravar as ruas a pé e nos deixando perder, até encontrarmos algo. Por acaso, chegamos na primeira de muitas igrejas que visitamos, e em termos arquitetônicos, uma das mais impressionantes. A Basílica de Nossa Senhora do Pilar.


Pagamos 10 reais na meia entrada e fomos ver "qual é" a do lugar. Rapidamente já pudemos perceber o poder e a avareza de sua construção, com madeiras entalhadas banhadas a ouro e afrescos de Aleijadinho, o local é realmente um símbolo de poder da época. E não pode-se esquecer... uma época suja, o auge da escravidão no Brasil, em pleno ciclo do ouro. Tudo isso é estampado na igreja, onde se vê algumas imagens esquisitas, como anjos empalando pessoas pretas.


Apesar dessa atrocidade, é necessário adequar o local à sua época, e os detalhes da arquitetura barroca chegam a ser sufocantes quando se senta no banco para observá-los. Realmente impressionante.


O restante do dia passamos caminhando pelas ruas da cidade, conhecendo outras igrejas e pontos turísticos, com uma pausa a tarde para comer o Strudel e o Creme Brulée do restaurante Escada de Baixo. Muita fila, muito caro, péssimo atendimento... já estávamos nos acostumando, mas tem que ser dito, as sobremesas estavam deliciosas.


Nesse primeiro dia focamos nos pontos mais famosos da cidade e não tive muitas ideias de como retratar aquelas cenas com minha grande angular. Nesse sentido até me senti um pouco frustrado, "como um cenário tão surreal não está me inspirando para boas fotos?". Talvez tenha sido a superlotação, ou a luz do dia (que não estava das melhores), eu simplesmente não havia encontrado nenhuma boa fotografia.


Nessa noite fui dormir sentindo aquela pressão familiar que ocorre em algumas viagens... "Não posso sair daqui sem pelo menos uma imagem que eu goste". Talvez eu estivesse tão focado em técnicas de composição, pensando em extravagâncias com longas exposições, que esqueci de deixar a fotografia fluir e simplesmente experimentar o que o lugar tinha de melhor a me oferecer... Fotografia de Rua.


Street Photography... a arte de ser cara de pau, de ligar menos para técnicas de fotometria e foco, e se concentrar mais na captura da cena em sí. E quer saber de uma coisa, e daí se o foco não estiver cravado? Se o Iso precisar ser alto? Se for a cena certa, nada disso vai importar no fim.


Minha maior referência no assunto é o fotógrafo Pierre Lambert, um francês que reside em Nova York e em seu excelente canal, grava vídeos POV de fotografia de rua pela cidade.

Sendo sincero, é fácil fotografar em Nova York também né!? Brincadeiras à parte, a tempos sua fotografia me inspira e seu estilo de apenas sair pelas ruas capturando o cotidiano é realmente excepcional.


Com tudo isso em mente, na manhã seguinte coloquei a câmera no modo AV e saí pelas ruas buscando apenas os detalhes, as coisas que vemos, mas não reparamos.

Desisti da grande angular, acoplei a teleobjetiva 75-300mm e tudo começou a fluir.


Com a restrição mínima de 75 mm, começamos a enxergar a cidade de forma diferente, se você quer fotografar algo, é preciso se afastar do objeto, tendo em mente que os planos também ficarão comprimidos, para Ouro Preto serviu perfeitamente. Comecei a fotografar janelas, bares, reflexos. Essa limitação focal me permitiu olhar para a cidade com outros olhos. E aqui estão algumas de minhas imagens preferidas.





Lembro exatamente do momento de cada foto... e esses momentos tenho o privilégio de guardar só para mim. Como é incrível a felicidade que a fotografia nos causa, e além dela, toda e qualquer forma de arte, como nos preenchem, nos dão propósito. O médico mais renomado que já ouvi falar, é reconhecido por seus colegas pela sua capacidade artística em desenhar, isso tem que nos servir de lição de alguma forma.

Enfim, em meio a nossa rotina enfadonha de trabalho, há uma beleza inexplicável em preenher nosso tempo livre com arte, seja ela qual for.


Voltando ao objetivo do texto, também fiquei contente com as próximas duas fotos.






















O fusca nem ficou com o foco perfeito, passou tão rápido por mim que só tive tempo de olhar pela câmera e disparar (obrigado pelo Modo AV, Canon), no fim fotografia de rua é saber lidar com isso, de preferência no Lightroom, risos.


Enfim, em nossa última noite conseguimos mesa no restaurante mais famoso da cidade, O Passo, não sem termos que chegar para jantar as 18h. Aqui já estávamos calejados, atendimento ruim, comida cara. Mas a ocasião era de comemoração, e saímos de lá quase 21h após algumas muitas taças de vinho.


Com certeza Ouro Preto deixou saudade e espero de retornar, um dia quem sabe. Voltei para Ribeirão pegando o caminho por Belo Horizonte, sem passar em Pouso Alegre dessa vez. A estrada majoritariamente simples, nos rendeu uma viagem 4 horas mais curta, mas sem dúvidas mais perigosa.


Obrigado por ter lido até aqui, se gostou das fotos, o convido a conhecer a Série Fotográfica Ouro Preto, na página ao lado.





 
 
 

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