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A Beleza de ler Tolkien

thiagopontoglio9
22 de out.
4 min de leitura


"O Senhor dos Anéis" gerou um profundo impacto em minha vida. Quando criança, lembro de ver e rever a trilogia do Peter Jackson inúmeras vezes, naquela época, maravilhado com as grandiosas cenas de ação e toda a austeridade em torno daquela história.


O primeiro livro também influenciou minha formação como leitor, mesmo que minha primeira tentativa às escritas de Tolkien, por volta dos 13 anos, tenha sido um pouco frustrante. Entendi que certas histórias demandam amadurecimento e voltam para nós no momento oportuno.


Pois bem, uns anos mais tarde comecei pelo jeito certo, li "O Hobbit", "A Sociedade do Anel" e "As Duas Torres". Depois de muito esforço cheguei ao penúltimo capítulo do Retorno do Rei, "O Expurgo do Condado" e por algum motivo que não consigo explicar... parei de ler.


Hoje em dia, pensando bem, o jovem quer tudo "para ontem", não é mesmo? E "O Senhor dos Anéis" não é esse tipo de história. Há algo na escrita de Tolkien que eu ainda não estava pronto para conseguir absorver.


Uns bons 15 anos e inúmeros livros depois, decidi encarar mais uma vez esse universo fantástico e comecei "O Silmarillion", o famoso texto que deu origem a toda a mitologia ao redor da história principal de "O Senhor dos Anéis". É importante ser dito que existe uma fama ao redor desse livro, de ser extremamente complexo e enfadonho. Para minha surpresa, li o primeiro capítulo, o segundo, o terceiro... "Enfadonho? Isso aqui é a coisa mais linda que eu já li na vida".


Nunca havia me emocionado tanto assim lendo uma obra de ficção, talvez os livros de Arthur C. Clarke tenham chegado perto, mas aqui Tolkien nos toca profundamente. Seu Deus, chamado Eru, criou o universo à partir de música, existe algo mais belo que isso?


Essa é a primeira página do livro, os acontecimentos posteriores com os Valar, os Maiar, os Primogênitos em toda a sua glória élfica... é uma história realmente muito poderosa. Ao menos para mim, a leitura fluiu de uma maneira ainda mais prazerosa que em "O Senhor dos Anéis".


Há muitos mitos belíssimos em o Silmarillion, e muitos deles geraram livros próprios, como "Beren e Lúthien", "A Queda de Gondolin" e o trágico "Os Filhos de Húrin", o qual já tive o prazer de ler. Todas se passando Eras antes de Frodo e o Um Anel.


Pois bem, chegamos a 2026, um ano de poucas leituras. Até a uns 3 meses atrás eu despretenciosamente reler o primeiro capítulo de "A Sociedade do Anel", o resultado? Hoje terminei o terceiro livro e ainda irei me aventurar pelos apêndices da obra. Que felicidade poder ler Tolkien.


É importante dizer o quanto o Silmarillion engrandece essa história. Seja quando Sam, nos momentos de desespero se apega à Elbereth Gilthoniel, que é ninguém menos que Varda, a Valar mais poderosa, criadora das estrelas, ou quando Aragorn conta para os hobbits sobre Beren e Luthien e a trágica história das Silmarils... Conhecer a mitologia torna a leitura extremamente emocionante quando algo que aconteceu a milhares de anos atrás é citado pelas personagens.


Mas há algo, que eu já havia reparado no Silmarillion e nos Filhos de Húrin, que aqui se concretizou, e eu finalmente entendi onde está o poder dessas histórias e o motivo delas me emocionarem tanto.


Em todos os seu livros, Tolkien nos apresenta um conceito responsável por mover as personagens, seja para sua destruição ou ascensção, que nada mais é que a Força de Vontade, "Will" no original. J.R.R explora exaustivamente essa questão, a ponto de trazer beleza para o conceito. É triste ler quando algo muito trágico ocorre com alguma personagem e ela perece simplesmente pelo desânimo que a abateu, e é emocionante quando uma personagem como o Aragorn, ou Sam, excedem as expectativas e se mantêm fiéis aos seus propósitos através de sua grande Força de Vontade.


Tolkien vai além, e transforma esse conceito em algo ainda mais palpável, diversas vezes as personagens se degladeiam apenas contra as Forças de Vontade de cada um, como Gandalf e os Nazgul, ou mesmo Saruman usando sua voz para dominar criaturas que considera inferiores. E aqui reside a beleza da obra. Os Hobbits, os seres menos poderosos de toda a trama, se mostram capazes de subjugar o Um Anel através das suas grandes Forças de Vontade, mesmo quando seres extremamente poderosos, como Boromir ou Saruman, falham.


Enfim, ler Tokien é uma experiência, e como está escrito na contra-capa da minha edição, o mundo realmente está dividido entre aqueles que leram "O Senhor dos Aneis" e aqueles que ainda não leram, tamanha potência tem essa história.


Leiam, sem pressa, se permitam demorar na obra, se permitam contemplá-la seja por dias, meses ou até anos.


Por fim, fujam da série horrorosa promovida pela Amazon Prime, da qual não vale a pena nem ser mencionada.


Para quem for se aventurar por esse Universo, sugiro como material de apoio o livro "Atlas da Terra Média", que de maneira excepcional nos leva por todos os mapas e descrições existentes desde o Silmarillion até o fim da saga em O Retorno do Rei.


Ah... esse texto não pode terminar sem eu falar sobre o primor que é ler o capítulo "A Toca de Laracna". Filha da própria Ungoliant, aranha que destruiu as duas árvores em Valinor e deixou o Reino Abençoado na escuridão. A descrição de Tolkien é primorosa e o temor causado pela escuridão daquela caverna e sua podridão, são palpáveis.


Outro momento que me emocionou, foi a Cavalgada do Rei Theoden contra o Cerco de Minas Tirith, no qual Tolkien o compara ao Oromë, o poderoso Valar Caçador que milhares e milhares de anos antes, cavalgou contra os Exércitos de Melkor, ou Morgoth na batalha mais mitológica desse universo. A descrição desse momento é belíssima.


Agora sim posso encerrar, leiam Tolkien!

 
 
 

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