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Diário do Litoral Norte - Parte 2

  • thiagopontoglio9
  • 4 de fev.
  • 3 min de leitura

Retomo as memórias contando sobre o Nascer do Sol mais espetacular que presenciei em Maresias...


22 de Dezembro às 4h da manhã saí de carro em direção ao canto direito da praia. Aqui vale ressaltar a sensação de apreensão que senti, uma mistura de incerteza por estar sozinho em um horário com a cidade tão deserta, e empolgação por poder vivenciar esse momento de solitude com a câmera fotográfica.


Estacionei o carro na última entrada da praia e comecei a caminhada ainda na escuridão, atravessando um longo corredor em meio a pedras e galhos, prestando muita atenção para não encontrar cobras e outros animais... Cheguei na areia com o céu começando a clarear, e nesse momento toda a apreensão foi embora, só deixando espaço para o entusiasmo de estar ali, sozinho, apreciando o início do dia.

Sem muita demora caminhei para as pedras já buscando composições pensadas previamente, nada muito complicado, apenas foquei em colocar as rochas e o movimento da água no primeiro plano e as montanhas da Serra do Mar ao fundo, e com um pouco de sorte, a luz seria o objeto principal da imagem.

Um pequeno parênteses para ressaltar a importância do "Scouting" na fotografia. De vez em quando é gostoso apenas pegar a câmera e ver onde o dia vai me levar, contudo a fotografia de paisagem é, em sua essência, algo planejado, algo pensado previamente com o objetivo de conceber a imagem exatamente como ela foi pensada, às vezes meses ou anos atrás. Por isso ir ao local dias antes da foto e estudar as possibilidades é algo tão relevante.


Bom, câmera no tripé, filtro de densidade neutra acoplado na objetiva e controle remoto na mão. E de repente... luz.

O sol pintou as nuvens em um espetáculo de cores que só são possíveis a essa hora do dia e rapidamente comecei a disparar conforme as ondas batiam na pedra em foco.



Com uma luz tão adequada a esse tipo de fotografia, os retoques de pós-produção no Lightroom foram mínimos e apenas clareei um pouco o primeiro plano da imagem, porém o intuito foi deixar o mais fiel possível ao meu sentimento em relação àquele momento, tentando transmitir certa melancolia com uma luz mais baixa e sem muito brilho. A seguir coloco o arquivo raw e a imagem final lado a lado, à título de curiosidade e comparação.


Arquivo RAW, como saiu da câmera
Arquivo RAW, como saiu da câmera
Imagem Final, revelada no Lightroom
Imagem Final, revelada no Lightroom




















As duas fotos a seguir também me chamaram atenção durante a sessão. E é interessante comparar as duas imagens pela composição que escolhi em cada uma. A de cima posicionei a linha dos terços para que 2/3 da imagem seja céu e na de baixo posicionei a linha para que 2/3 estejam focando na areia e no mar.


Em um dos vlogs recentes do fotógrafo Michael Shainblum na costa do Oregon, ele comenta à respeito de sua preferência por deixar a areia e o mar com mais espaço nesse tipo de fotografia litorânea, justamente para causar maior impacto visual. Contudo com aquele céu rosa-azulado na minha frente decidi tentar os dois modos e ainda não sei dizer qual me agradou mais.






Por volta das 07:00h o sol já estava alto no céu e encerrei a sessão. Tirando um tempo só para observar a paisagem e respirar em silêncio. Pode parecer monótono para quem não fotografa, mas a adrenalina e o prazer de fotografar um nascer do sol são imensas e me preenchem com uma alegria difícil de descrever.

Também quero deixar registrado o desconforto que é para um fotógrafo fazer esse tipo de imagem. Primeiro pelo horário, segundo por precisar ir à praia com calça e camiseta de manga comprida, tudo para evitar as inúmeras picadas de pernilongos que estão ativos no início do dia. Inevitavelmente minhas mãos e pés, descobertos, voltaram com dezenas de picadas. Isso só me faz imaginar o que fotógrafos como Paul Nicklen fazem para conseguir imagens dos lugares mais inóspitos do nosso planeta. Realmente sensacional.


  No terceiro e último texto sobre essa viagem irei contar um dos momentos mais inusitados e agradáveis que tive ao encontrar uma família praticante de slackline em uma praia deserta, e também irei compartilhar algumas imagens que fiz com meu drone. Para quem chegou até aqui, obrigado!









 
 
 

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