Diário da Canastra - Parte 2
- thiagopontoglio9
- 30 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Nada como acordar com a vista do Paredão da Canastra bem na sua frente.
Nesse cenário fantástico, e em total silêncio, aproveitei para começar o dia dando continuidade ao livro da vez, Os Filhos de Húrin, de Tolkien, texto que recomendo a todos os amantes do escritor.

Antes de começarmos a explorar a região, nossos anfitriões na Pousada Pé na Canastra nos prepararam um autêntico café da manhã mineiro, com direito a diversos queijos, geleias, sucos, goiabada e muitas outras coisas, tudo de produtores da região ou da própria pousada. Isso, junto de uma ótima conversa, nos deixou prontos para um excelente dia.
Por volta das 9h, saímos em direção à segunda queda d’água que tínhamos como objetivo visitar na viagem, a Cachoeira da Lavrinha. Depois de mais ou menos quarenta minutos de estrada de terra, em um carro nada ideal para esse terreno, chegamos ao local.
Por ser em propriedade privada, pagamos uma taxa de dez reais para entrar e, depois de vestir as perneiras, iniciamos a trilha.
Em meio a um lindo dia de sol, caminhamos cerca de um quilômetro até a queda d’água. A trilha é de fácil acesso, com um trecho bastante sombreado pela mata ao redor, e apenas bem próximo à cachoeira ela fica um pouco mais íngreme e com muitas pedras.

Fomos os primeiros do dia a chegar ao local e conseguimos desfrutar de um bom tempo sozinhos. A cachoeira é linda, com vários veios de água escorrendo pela rocha e, depois de cerca de trinta minutos no calor da trilha, nada melhor do que um mergulho.
Locais assim causam certa apreensão pelo risco de encontrar cobras por perto, mas deixar de viver a história pelo medo talvez seja pior do que encontrar algum animal de fato. O que podemos fazer é nos precaver, usando perneiras, fazendo barulho na trilha e observando bem onde pisamos, mas no poço da cachoeira é diferente, não há muito o que fazer. Mesmo assim, mergulhei.
Que gelo estava, mas que refrescante foi. Assim passamos uma manhã inesquecível, nadando nesse lugar incrível e sentindo toda a calma e leveza que a natureza ao redor nos transmitia. Como experiências assim fazem falta em nossa rotina, como esse cont
ato nos renova e nos traz tanta paz. Realmente sensacional.

Depois de aproveitarmos bastante a água da cachoeira, tirei um tempo para fotografar. Foi um lugar em que não encontrei tantas opções de composição e nem me preocupei muito com isso, portanto fiz apenas a foto clássica do local, que já considerei suficiente, além de algumas imagens com o drone. Aqui, o que ficou na memória foi realmente o mergulho que tivemos o privilégio de vivenciar.

Após voltarmos pela trilha, o plano era conhecer uma queijaria próxima, chamada Estrela, dona de um queijo premiado internacionalmente, contudo nos demoramos tanto na cachoeira que decidimos deixar a visita para uma próxima oportunidade e seguir direto para o almoço.
O escolhido da vez foi o restaurante Dois Irmãos, bem próximo à Portaria 4 da Canastra, onde mais uma vez desfrutamos de uma ótima comida caseira feita no fogão a lenha.
Na parte da tarde, aproveitamos que estávamos próximos a um conjunto de piscinas naturais em uma fazenda da região e fomos conhecer. Porém, acredito que por ser de acesso muito fácil, sem trilhas, o local estava lotado de pessoas, exatamente tudo do que queríamos fugir durante a viagem. Por isso, não nos demoramos muito, mesmo após alguns mergulhos.
Eram por volta das 16h e nossos dois principais objetivos já estavam cumpridos, as cachoeiras Casca d’Anta e Lavrinha. Para finalizar o dia de passeio, paramos no mirante com vista para a Casca d’Anta para fotografar e aproveitar o final da tarde.


À noite, ficamos pela pousada e aproveitamos um belo vinho acompanhado de uma tábua de frios que havíamos levado. E quando estávamos nos preparando para dormir, decidi deixar a câmera fotografando para compor um Star Trail. Foram 135 fotos até acabar a bateria. Utilizei 30 seg de exposição e coloquei o intervalômetro para disparar a cada 34 segundos. Depois de empilhar as fotos no Sequator, esse foi o resultado...

E assim termina nossa primeira passagem pela Serra da Canastra, com muitas outras possibilidades para viagens futuras, principalmente na parte alta da Canastra, que também reserva cachoeiras incríveis, como a Cachoeira do Fundão, e que acabamos não conhecendo por não estarmos em um veículo 4x4. Enfim, motivos não faltam para retornar.



Comentários